Veneza, na Itália, nunca esteve na minha wishlist. E apesar da origem italiana, sempre olhei para esta parte da Itália com certo preconceito. “Veneza? Nem em Lua de Mel”, costumava dizer aos amigos que me perguntavam se já havia visitado a cidade. Não sei bem quando começou minha birra com Veneza, mas lembro como terminou.



Ao planejar minhas férias, fui convencido de que deveríamos, eu e a esposa, ir a Veneza, cidade romântica, ideal para casais apaixonados. Não quis, mas diante de tantos argumentos acabei cedendo. Confesso ter ido sem muita esperança, tanto é que foi a única cidade visitada que não fiz uma pesquisa mais aguçada sobre o que ver, onde ir, comer e o que fazer.

Cheguei em Veneza num domingo à noite, início de inverno, com temperaturas por volta dos 8 graus. Para um bom carioca, frio. Muito frio! Tudo que buscava nas minhas férias…. Cheguei de trem e ao descer da estação a primeira impressão: “Veneza é bonita! Bem bonita!”.



Pegamos um Vaporetto, aqueles ônibus que cortam a ilha de Veneza. Sim, Veneza é uma ilha, mas tem sua parte continental. O lado turístico é a ilha, a outra parte é bem menos turística e muito mais barata, mas ainda sim vale mais ficar na ilha. Descemos na parada certa e andamos por ruas estreitas, porém sinalizadas. Como estávamos com um mapa foi fácil chegar ao hotel. Nos hospedamos a menos de uma quadra da Praça São Marcos, a única da cidade e o principal ponto turístico. E foi lá que me apaixonei enfim por Veneza.

No dia seguinte, já em êxtase por Veneza, topei fazer o famoso passeio de gôndola, afinal nada mais romântico! A primeira vista me impressionou a habilidade dos gondoleiros, mas logo a paisagem e o clima do passeio chamaram mais a minha atenção do que as centenas de gôndolas que cortam os canais venezianos. O passeio é belíssimo e no meu caso foi acompanhado de vinho e cobertor, dois ótimos “ingredientes” para aquecer o inverno italiano. Optamos por navegar pelos canais internos, menos cheio do que os demais e que tem como “plus” uma passada pela Ponte di Rialto, um monumento construído em 1591 e a primeira ponte a cruzar o grande canal. É de lá que se faz uma das mais belas fotos de Veneza. O passeio dura 40 minutos e custa 80 euros a gôndola. É caro, mas se você estiver num clima romântico é muito agradável.

Com exceção das gôndolas, a melhor forma de conhecer Veneza é andando e foi o que fizemos. Com um mapa na mão e disposição nas pernas, a pequena cidade de inúmeros apelidos se revela extremamente impressionante. Em cada rua ou ponte, uma nova Veneza se descortina apresentando uma beleza diferente, com tons que mudam conforme o sol vai se pondo. Seja entrando em museus ou apenas vagando sem compromisso, cada passo é uma surpresa (e muito boa, por sinal). E quando à noite chega e o frio se mostra mais intenso… é então que Veneza revela sua beleza inigualável, com suas luzes amarelas que dão um colorido especial à paisagem tornando-a ainda mais romântica.



Veneza foi nossa primeira parada e ficamos dois dias e meio. No último dia andamos mais pela cidade, fomos às ilhas de Murano e Burano e à tarde seguimos para Florença. Despedi-me de Veneza como um namorado se despede da sua amada no aeroporto ou na estação tendo a certeza que em breve eles se reencontrarão novamente. Eu tenho essa certeza! Não me pergunte quando, mas Veneza estará sempre em minha wishlist!

Abaixo divido algumas dicas da cidade.


– O pôr do sol visto da Ilha de Murano é lindo. Se for visitar a ilha, deixe para ir à tarde e ver este espetáculo da natureza!

– Em Veneza (e quase toda Itália) as refeições são divididas em entrada + primeiro prato + segundo prato + sobremesa. No entanto é comum pular alguns desses pratos, então não se sinta tímido em escolher realmente o que você quer comer.

– Veneza não é um lugar para se badalar à noite, mas se mesmo assim você quiser se aventurar uma boa dica é o Harry’s Bar, inaugurado em 1931 e um dos lugares prediletos do escritos Ernest Hemingway.

– Um dos locais mais fotografados é a Ponte dei Sospiri (Ponte do Suspiro), que apesar do que pode sugerir, leva este nome porque os suspiros vinham dos prisioneiros que eram levados a julgamento.

– A Basilica de San Marco é recheada de detalhes. Antes de visitá-la procure ler sobre o monumento ou busque um áudio guia para não deixar escapar nada. O investimento vale à pena!