Toda vez que revelava o destino da minha viagem as perguntas que mais ouvia eram as seguintes: você vai para Cuba? Fazer o quê? Pelo que percebi, essas dúvidas permeiam a cabeça da maioria dos brasileiros, ainda pouco informados sobre todas as atrações que este interessante destino possui. A verdade é que os principais conhecimentos que a população tem sobre Cuba dizem respeito, principalmente, ao modelo comunista adotado na ilha. Polêmicas à parte e apesar das posturas questionáveis de seus governantes, Cuba possui uma história forte, um povo amigável e hospitaleiro, os famosos charutos cubanos, o rum, a música e para completar praias formadas pelo azul do mar do Caribe. Cenários capazes de deixar qualquer um deslumbrado (até quem, como eu, está acostumado a viajar pelo mundo!). Ah, esqueça calça jeans e casacos, o clima é quente de verdade!

O arquipélago cubano é formado pela ilha de Cuba, Ilha da Juventude e, ao redor, mais de 4 mil cayos e ilhotas. São mais de 300 praias, rico acervo cultural, boa gastronomia e cidades que respiram história. E apesar de ainda não ser amplamente conhecida, possui opções para famílias inteiras curtirem suas férias e casais apaixonados passarem dias inesquecíveis durante sua lua de mel. Prova da infraestrutura bem preparada para receber visitantes é a economia local. A atividade turística é o principal fator econômico para o país.

Atualmente, os principais emissores de turistas para Cuba são Canadá, Grã-Bretanha, Itália, Espanha e França. O Brasil ainda não aprece nesse ranking, mas vem crescendo como emissor ao longo dos últimos anos. O ano de 2017 bateu o recorde de visitação de estrangeiros em Cuba. De acordo com dados do governo, a ilha recebeu 4,7 milhões de viajantes nos 12 meses, alcançando US$ 3 bilhões em receita no Turismo e um aumento de 18% em turistas em relação ao ano anterior.


Primeira impressão


Assim que o avião aterrissa e você sai rumo ao hotel a sensação que se tem é que o lugar parou no tempo. São carros antigos, a maioria dos anos 50, já que em 1959 aconteceu a Revolução Cubana e teve início o embargo norte-americano ao país. Contudo, toda a simplicidade, que expressa exatamente a realidade do povo cubano, acaba quando chegamos no luxuoso resort em Varadero, que nos hospedaria nos próximos cinco dias! Uma completa infraestrutura pronta para receber turistas de todo o mundo. Cuba é mesmo um paraíso contraditório. De um lado o que resta do comunismo no mundo, de outro o luxo gerado pelo capitalismo. E isso tudo numa mesma ilha, que agora passa a ser descortinada para o mundo através do turismo.

A cada km percorrido pelas estradas de Cuba (entre Havana, Cayo Santa Maria, Santa Clara e Varadero) as placas e mensagens pintadas nos muros – ou em pedaços de pedra do meio do nada – relembram a “vitória” da Revolução Cubana. Ao olhar pelo vidro do ônibus, entre uma cidade e outra, o que vejo são ruas de terra, charretes e os – já mencionados – carros antigos. Todo o cenário remete à história que levou o país ao que é hoje.

Varadero, a primeira parada




Falar do turismo em Cuba seria impossível sem citar Varadero. Na verdade, assim como a maioria dos visitantes, esse foi o primeiro destino que conheci durante a viagem. O balneário é considerado a principal praça de turismo de sol e praia no país. A cidade tem por volta de 20 mil habitantes, mas recebe, por ano, uma média de 500 mil visitantes. A distância de ônibus que separa Varadero da capital pode ser percorrida em 2h.

A cidade é dividida entre Varadero Velha e Varadero Nova. Na parte antiga há diversas casas com arquitetura das décadas de 20 e 30, onde vive a população local. Já na região nova estão os hotéis mais disputados pelos turistas. Aqui, o grande atrativo é mesmo o mar, lindo e quente! Por isso, depois que deixei as malas no quarto, corri para vê-lo. Foi surpreendente. Fiquei ali, parada alguns minutos, só apreciando as diferentes tonalidades de azul que completavam um verdadeiro cenário de tirar o fôlego.

Para quem gosta de aventura há como opção saltos de paraquedas ou mergulho nas águas cristalinas. Já os que curtem um agito noturno vão adorar, já que há vários estabelecimentos que ficam abertos 24h e quando os moradores locais resolvem cair na dança os nossos olhos ficam hipnotizados. Mulheres (trajando minissaias) e homens reproduzem passos pra lá de sensuais ao ritmo da salsa!

Antes de terminar esse pequeno resumo, quero abrir um parênteses para dizer que entre todos os destinos caribenhos pelos quais passei ao longo dos anos, incluindo Cancun, Punta Cana e Bahamas, a paisagem que mais me impressionou foi esta, em Cuba! Sim, Varadero é a minha preferida!

De barco, rumo a Cayo Blanco




A partir de Varadero é possível fazer passeios de barco – a maioria deles altamente equipados – até Cayo Blanco.  Na viagem, bebidas e comidas com fartura. Uma lagosta por apenas 10 CUCs? Impossível resistir. O prato tipicamente preparado estava realmente uma delícia e valeu o investimento. Refrigerante e cervejas nacionais completavam o cardápio. Durante todo o percurso um funcionário – com uma câmera de filmar em mãos – registrava tudo (o filme é oferecido aos turistas ao final do passeio por 25 CUCs).

Antes de chegar em Cayo Blanco o barco faz uma parada estratégica para o mergulho com snorkel. Depois de uma miniaula, chega a hora de entrar no mar. A atividade dura apenas alguns minutos, mas o tempo é suficiente para se divertir.

Ao chegar à ilha, uma espécie de recepção é feita por músicos que tocam a mais autêntica salsa. Pronto. Agora é só entrar no clima. Durante todo o dia, entre um mergulho e outro, os turistas podem arriscar alguns passos da tradicional (e muito sensual) dança cubana. No almoço, frutos do mar e frango. Aproveite o dia para fazer novas amizades, afinal, pessoas de diversas nacionalidades se encontram em Cayo Blanco.

Santa Clara, a “Cidade de Che”




Durante todos os passeios e nas lojas de souvenires você vai esbarrar com fotos, blusas, cartões-postais entre outros objetos com a figura de Che Guevara, que apesar de ser de naturalidade argentina, ficou amigo de Fidel Castro e lutou pela Revolução Cubana. Para conhecer um pouco mais dessa história de amizade e amor por Cuba, não deixe de conhecer o Memorial e Monumento a Enersto Che Guevara e seus companheiros de luta da Guerra Boliviana, na cidade de Santa Clara. Em seu interior estão os restos mortais dele. O local abriga muitas fotos e textos. Conta de maneira objetiva e interessante um pouco da vida de Che – desde sua infância – e sua participação na história cubana. Entre os documentos, a última carta deixada por ele para Fidel. Vale a pena parar e ler. Fique atento, pois não é permitido tirar fotos no interior do local.

Clima retrô em Havana



A sensação de uma cidade que parou no tempo é mais forte em Havana. As construções são todas antigas, no máximo algumas restaurações. Nada melhor do que uma volta para conhecer de perto a vida desse povo que apesar de extrema simpatia, carrega no fundo dos olhos um ar de tristeza. Entre um passo e outro eles vão se aproximando. Muitos vivem do turismo, por isso, se quiser tirar fotos com eles terá que pagar. Se quiser conversar, as novelas brasileiras rendem um bom papo. Tanto homens quanto mulheres adoram assisti-las e, claro, tentam arrancar de você qual será o final do folhetim (ao ser questionada preferi me calar e não estragar a surpresa de A Favorita!).

Para facilitar seu deslocamento fique atento às três regiões: Havana Velha, bairro histórico tombado pela Unesco em 1982, onde você pode fazer tudo a pé; Centro Havana, área residencial e comercial da maior parte dos trabalhadores da cidade; e Vedado, que conta com grandes hotéis e as mais agitadas casas noturnas. Outro importante ponto é o Malecón, o famoso calçadão que beira o mar de Havana.

Durante o tour, a guia da nossa viagem chama a atenção para a Avenida Paseo que, segundo ela, fica lotada durante as manifestações políticas, e termina na Praça da Revolução. Um dos pontos mais altos da cidade de Havana está na Praça, o Memorial José Martí. É uma torre de 109 metros de altura, onde você pode pegar um elevador até o topo e ter uma espetacular vida da cidade. Ao seu redor estão prédios de ministérios que abrigam em suas fachadas imagens de líderes da Revolução Cubana. De um lado Che Guevara com a frase “Hasta la Victoria Sempre” e do outro Camilo Cienfuegos com as palavras “Vas Bien Fidel”.

Já em Havana Antiga aproveite para desvendar todos os cantos e conheça o Palácio dos Capitães Generais. Ande mais um pouco e depare-se com o Mural do Liceu Artístico Literário da cidade. Aproveite ainda para tomar um mojito em um dos muitos restaurantes. Ali, homens e mulheres (já bem idosas) chamam a atenção com grandes charutos na boca.

Se tiver tempo faça uma visita ao Hotel Nacional, uma espécie de Copacabana Palace de lá. A galeria de celebridades que já se hospedaram nele é grande, incluindo atores e atrizes do Brasil e ex-presidentes. Nos jardins, noivas e debutantes aproveitam a paisagem para fotografar.

Charutos e rum direto das fábricas




Sair de Cuba sem comprar charutos e rum é quase impossível (mesmo que você não fume ou beba, meu caso!). São essas as lembranças mais tradicionais do país. Então aproveite para adquiri-los por um preço bem abaixo do cobrado no Brasil. A melhor maneira de comprar os produtos é visitando as fábricas, assim você foge das falsificações. Ali você terá toda a informação que precisa, além de ver in loco, a produção. As marcas mais famosas de charutos como Cohiba (conhecido por ter sido o favorito de Fidel Castro), Romeu e Julieta, e Monte Cristo não são baratas, podem chegar até 20 CUCs a unidade. Os menos populares, mas ainda sim autênticos charutos cubanos, podem sair por 35 CUCs a caixa com 10 unidades. Atenção, os passageiros podem levar, de uma mesma marca e tipo, até 20 unidades avulsas ou 50 unidades na caixa original lacrada, mais que isso precisa ser declarado.  Já as garrafas de rum são compradas por preços que variam entre 3 CUCs e 10 CUCs, dependendo da marca e tamanho.

Internet, transporte e gorjetas em Cuba


Apesar da megaestrutura encontrada nos resorts, em Varadero assim como na maioria dos Cayos, é difícil encontrar wireless nos quartos. Para ter acesso à internet você terá que descer até o lobby do hotel e pagar para usar o Business Center. Já em Havana é mais fácil conseguir utilizar seu smartphone com wifi nos quartos dos hotéis mais completos.

Outro fator que chama a atenção em Cuba é o transporte público, visivelmente insuficiente. Durante os trajetos percorridos de ônibus (particular) entre as cidades, pude ver várias pessoas nas estradas pedindo carona. Elas passam horas debaixo do sol quente até conseguir se locomover. A maioria delas sacode notas de dinheiro nas mãos como uma forma de tentar convencer os motoristas que passam. Uma situação bem comum segundo as guias de viagem nos acompanhavam.

Vale lembrar também que os cubanos não cobram gorjeta ou serviço, mas é esperado que você deixe algo para eles, já que as gorjetas que recebem por mês costumam superar o valor médio do salário mensal.

Um país, duas moedas


A ilha tem duas moedas, uma para os cubanos, o peso cubano (CUP), e outra para os turistas, o peso conversível, o CUC. Um CUC equivale a 26 pesos cubanos. Na teoria, o CUC vale US$ 1 (segundo a cotação oficial do Banco Central de Cuba). Na prática, não é recomendado levar dólares para trocar no país, tendo em vista que a moeda norte-americana pode ser desvalorizada em até 20% na troca, devido à má relação de Cuba com os Estados Unidos. Dessa forma, o mais comum é levar euros. Cada euro costuma valer em torno de 1,25 CUC (mas a variação é constante). O mais prático é calcular os gastos antes da viagem e levar tudo em dinheiro vivo.