Buenos Aires em ritmo de tango – Parte I

Há 180 dias

Em 2006 viajei a Buenos Aires para um curso intensivo de espanhol, na Universidade de Buenos Aires, que duraria um mês. Terminei por passar os oito anos seguintes naquela que veio a ser a cidade onde me descobri, onde nasci de novo. Cheguei sem pretensões maiores do que completar o curso e aprimorar meu espanhol e, quando sai de lá, já era outra pessoa (ou a mesma, mas com um olhar completamente diferente sobre mim e sobre o mundo).

Creio que tudo o que nos move e nos apaixona nos gera essa vontade de compartilhar, de contar pra todo mundo. Por isso, quero dividir com vocês um pouco das minhas experiências nesta cidade tão especial e que nós brasileiros gostamos tanto de visitar.

Sabemos que a memória não é literal e fiel aos fatos, que ao longo do tempo vamos moldando as experiências a partir do que sentimos ao vivê-las. Para mim, o primeiro momento extremamente emocionante, de conexão e encontro com a cultura portenha, foi justamente no show de tango da Orquestra Típica Fernández Fierro.

Palco onde a orquestra se apresenta / Foto: Club Atlético Fernández Fierro

O espaço da Orquestra, o Club Atlético Fernández Fierro, ou CAFF, foi inaugurado no dia primeiro de maio de 2004 (não por acaso, dia internacional do trabalho). Antes o galpão funcionava como uma oficina mecânica e, a partir de então, se tornou um clube social e cultural, que se dedica a “espetáculos, atividades culturais e encontros sociais”, como eles mesmos definem.

A impressão que tive ao entrar é que estava conhecendo um lugar secreto, para iniciados. Como fui sozinha, preferi sentar no balcão ao fundo ao invés de ocupar umas das mesas para 4 pessoas. Mesas estas todas diferentes uma das outras, assim como as cadeiras (que mais tarde vim a descobrir, eram todas doações de amigos do Club, criando um ambiente muito peculiar).
Salão lotado para apresentação / Foto: Club Atlético Fernández Fierro

Logo nos primeiros acordes da Orquestra senti uma emoção muito grande, provavelmente pelo som potente dos 3 bandoneones que integram o grupo de 13 músicos. E também pelo forte elemento performático: a apresentação não deixa de lado o cenário e a presença dos músicos no palco não se restringe à música, primorosa, mas é também uma força política e social. O expoente contemporâneo do tango de arrabal.

Toda essa carga simbólica se sente, de imediato.  Dito isso, fica explícito que a Orquesta Típica Fernández Fierro é um grupo de tango não convencional: se organizam de forma cooperativa, editam seus discos de forma independente, administram o espaço do CAFF e, desde 2010, mantém uma excelente rádio online, que vale muito a escuta.
Orquestra em ação / Foto: Club Atlético Fernández Fierro

O CAFF abriga apresentações de inúmeros grupos, não somente ligados ao tango, mas sempre com elementos que combinem com sua ideologia e origens: por lá já passaram Wander Wildner e Flu, músicos do sul do Brasil e Arnaldo Antunes, com sua música e poesia concretas, para citar alguns exemplos. O espaço também abriga Varietés – espetáculos de variedades que devem seu nome aos Théâtre des Variétés da Paris de 1790. As entradas podem ser compradas online porém, mesmo com a entrada em mãos, recomendo chegar cedo: o centro cultural já é bastante conhecido e costuma atrair um público grande. O CAFF conta com um bom bar: cervejas, vinhos e o tradicional Fernet (drink tradicional de bitter e cola), além de empanadas e pizzas.
Salão lotado para apresentação / Foto: Club Atlético Fernández Fierro

Outro espaço que recomendo pela curadoria musical impecável é o Torquato Tasso. Aberto há mais de duas décadas, em seus princípios se dedicava somente ao tango. Hoje em dia, músicos de diversos estilos, sempre de altíssima qualidade, se apresentam no palco do “El Tasso”: Yamandu Costa, excelente e virtuoso violonista brasileiro, acaba de fazer uma série de apresentações, sempre com casa cheia e convidados especiais.
Yamandu Costa se apresentando no Torquato Tasso / Foto: Foto Leticia Menetrier

O Tasso é frequentado principalmente por músicos da cena local e pelos próprios portenhos, além de alguns turistas que buscam viver o tango de forma menos comercial.

Além do salão principal onde acontecem os shows, recentemente foi inaugurado um novo e aconchegante espaço que será dedicado a lançamentos de livros e discos, eventos culturais em geral, ademais de servir almoço e café de quartas a sábados.
Pátio do Torquato Tasso / Foto: Leticia Menetrier

As entradas para os shows podem ser adquiridas antecipadamente e com desconto online ou no local com um pequeno acréscimo. Na bilheteria os ingressos somente podem ser adquiridos em dinheiro. Ainda hoje, muitos lugares em Buenos Aires não aceitam cartões de crédito ou débito, melhor sempre prevenir e ter bilhetes de pesos na carteira.

No Tasso também convém chegar cedo: não há reserva de lugares mesmo com o ingresso em mãos, as mesas são ocupadas por ordem de chegada.  O restaurante conta com boas opções tradicionais da cozinha portenha como carnes, massas e saladas, além de tábua de queijos e fiambres. Para acompanhar, um bom vinho ou a nova febre mundial: cerveja artesanal!
Torquato Tasso de um novo ângulo / Foto: Leticia Menetrier

Me acompanha aqui na Voopter que na próxima te conto sobre as milongas: onde ver e bailar o tango!

Esta oferta/dica foi escrita por Leticia Menetrier

Leticia Menetrier voou pela primeira vez aos 20 dias de vida. Filha de piloto, já quis ser comissária de bordo. Produtora cultural e em geral, segue a vida onde ela levar e trata de parar nos ambientes mais aprazíveis.

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